Bloqueios da criatividade

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O bloqueio do escritor também pode ser chamado de bloqueio criativo. É um fenómeno que envolve a “perda” temporária da capacidade de continuar a gerar conteúdo, geralmente por falta de inspiração ou criatividade. O pensamento criativo pode ser treinado para aumentar a capacidade de resposta criativa de uma pessoa, mas também pode ser facilmente bloqueado com base nas nossas ações.

Todas as crianças nascem com um enorme potencial criativo, segundo o psicólogo António Valentim, afirma que todos os sentidos de uma criança estão em estado de alerta para captar sons, ritmos, formas, cores, cheiros, entre outros. A capacidade criativa de uma criança vem das experiências que ela tem com os objetos, com as pessoas e com os acontecimentos reais.

Porém, à medida que crescemos, envolvidos com os paradigmas e regras morais impostos pela sociedade, as nossas capacidades tornam-se limitadas, sequestrando a nossa confiança criativa. Embora tenhamos inato grande parte da imaginação, intuição e inteligência, somos treinados de algumas maneiras para não usá-las [Junkins, 2016].

Os bloqueios da criatividade surgem porque à medida que crescemos, trabalhamos-la cada vez menos, deixamos de ser “espíritos livres” para viver sob regras, paradigmas e estereótipos. O cérebro humano tende a simplificar elementos complexos, caindo na zona de conforto, ao invés de ir em busca de novas possibilidades. Os bloqueios criativos não dificultam apenas a produção de novas ideias, mas também contribuem para uma circunstância problemática que não é devidamente avaliada e não são encontradas estratégias para resolvê-la [Tschimmel, 2010].

Mesa com um desenho, marcadores e uma caneca

Estão identificados diferentes tipos de bloqueios, sendo eles o perceptivo, o cultural e intelectual, o emocional e o individual e organizacional. Para que se possa entender em detalhe os seus significados, irei falar um pouco de cada um.

Bloqueios Perceptivos

A percepção é o ato de compreensão, da distinção de objetos, de lugares, de tudo ao nosso redor. No entanto, essa compreensão não é apenas uma recepção de informações, mas sim uma percepção manobrada através dos nossos órgãos sensoriais, que nos permite orientar-nos no mundo [Tschimmel, 2010]. Na verdade, o nosso cérebro desenvolve mecanismos baseados nas nossas experiências e tende a escolher o que sabe, o que lhe é familiar, refletindo-se na percepção e na procura, mas aniquilando a nossa amplitude e inibindo métodos originais de resolução.

Bloqueios Culturais / Intelectuais

Todas as crianças gostam de aprender e de ser exploradoras, mas a maioria dos seres humanos é privada de criatividade, até mesmo na escola. As barreiras culturais surgem essencialmente devido a regras sociais e institucionais. Goleman, Kaufman e Ray, em Creative Spirit, falam sobre os “assassinos criativos” de Amabile (Amabile’s “creative killers”). São eles:

  • a vigilância e observação constante da criança durante uma ação, fazendo com que ela se retraia e diminua os impulsos criativos;
  • a avaliação, que faz com que as crianças se preocupem com o julgamento dos outros, querendo mais impressioná-los do que motivá-los e satisfazê-los;
  • a recompensa, que pode ser um bom estimulador da criatividade, mas em excesso torna-se uma supressão do prazer;
  • a competição, onde o tempo e o ritmo são sempre diferentes, como desejamos vencer, a pressão consequentemente leva-nos ao desespero;
  • o controle excessivo decorrente do ensino de tarefas domésticas e escolares de forma detalhada e meticulosa que faz com que a criança sinta perda de tempo ao tentar explorar um caminho original;
  • a restrição de escolhas, na medida em que os filhos devem escolher o caminho que lhes causa curiosidade e paixão, ao invés dos pais direcionarem os filhos para o que desejam;
  • e, por fim, a pressão, obrigando as crianças a aprender e colocando muitas vezes expectativas em áreas das quais não têm consciência, só vai gerar o efeito oposto ao pretendido, criando sentimentos de aversão.

Essencialmente, nos blocos culturais, também conhecidos como intelectuais, tendemos a fazer uma análise precoce das nossas ideias, bloqueando o seu fluxo no início em vez de lhes dar um caminho livre pelo olhar crítico e pelo desejo de uma resposta rápida. Ao escolher a forma mais fácil, rapidamente colocamos as ideias dos outros “na mesa” em vez das nossas.

De acordo com Goleman, Kaufman & Ray [1992], o tempo infelizmente é um dos piores assassinos da criatividade. A sociedade atual vive ao ritmo da pressa e do stress, onde tudo é para o ontem e as crianças desde cedo educadas ao som de “despacha-te”, “temos pressa”. Como “a motivação intrínseca é a chave para a criatividade da criança, o principal elemento do seu cultivo é o tempo”, então o tempo ilimitado permite que a criança entre num fluxo natural de criatividade e prazer.

Bloqueios Individuais e Organizacionais

Individualmente, criamos estereótipos para determinadas situações. Proctor [2005] aponta que os maiores bloqueios são as mentalidades individuais e organizacionais. Quando o ser humano cria uma estratégia funcional, tende a utilizá-la num cenário próximo e idêntico, ficando satisfeito com o básico em vez de procurar respostas alternativas e originais. A resistência à mudança cria disfuncionalidade no raciocínio ilógico.

Bloqueios emocionais

As emoções são um conjunto de reações, com durações e intensidades diferentes, que ajudam a compreender o que nos rodeia. Ajudam-nos a perceber o bem e o mal, o que é importante e o que não vale a pena, e remetem-nos a experiências boas ou más.

Portanto, a nossa percepção muda de acordo com nosso estado de espírito. Raiva, ansiedade, insegurança, baixa autoestima e até mesmo amor são bloqueios emocionais que afetam a nossa percepção e interpretação. Estados emocionais instáveis, geralmente causados por pressões, preocupações, problemas financeiros, entre outros, causam desequilíbrios que nos impedem de pensar com clareza.

Identificar bloqueios na criatividade ajuda a entender o pensamento criativo.

Porém, o conhecimento também pode constituir um bloqueio à criatividade, pois o seu excesso leva-nos a analisar os factos em vez de os questionar. Quem trabalha de forma criativa é incessantemente curioso, questiona tudo o que descobre e explora novos caminhos e soluções. No entanto, é necessário encorajar e motivar o ser criativo, por um lado, e identificar os bloqueios para se chegar a soluções mais criativas, por outro.

Se ficaste com interesse neste tópico, eu recomendo:

  • Moreira, J. (2016). O objecto como impulsionador do Pensamento criativo. Porto: ESAD, Matosinhos. Tese de Mestrado
  • Tschimmel, K. (2010). Sapiens e Demens no Pensamento Criativo do Design. Aveiro: Universidade de Aveiro, Departamento de Comunicação e Arte. Tese de Doutoramento
  • Proctor, T. (2005). Creative problem solving for managers: developing skills for decision making and innovation, 2a Ed. New York: Routledge.

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