Como ter uma Alimentação Saudável e Sustentável?

Tempo de leitura: 7 minutos

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Já ouviste falar sobre alimentação saudável e sustentável?

Durante muito tempo, o conceito de alimentação sustentável era associado a algo limitado. Afinal, tínhamos de abrir mão do sabor e do prazer à mesa para seguir padrões pouco interessantes e consumir alimentos que não estávamos habituados. Foi o tempo em que as primeiras proteínas vegetais, como o tofu, ficaram na moda e eram utilizadas de forma excessiva e pouco original.

Mas hoje, com muita pesquisa e envolvimento de nutricionistas e produtores, uma alimentação sustentável é possível sem abrir mão daquilo que gostamos e de forma a proteger o meio ambiente. Afinal, nós somos aquilo que comemos, e a alimentação tem uma relação direta com o nosso peso, a nossa saúde física e até mesmo a nossa saúde mental.

Mas como pensar em sustentabilidade alimentar? O que comer? Como encontrar?
O tema não é de todo novo, mas ao mesmo tempo não é um assunto extremamente discutido, por isso dúvidas como estas são naturais. O intuito deste artigo é esclarecer essas dúvidas e dar a conhecer o que é a alimentação sustentável e saudável.

O que é Alimentação Sustentável?

É um conceito amplo e passa por entender o impacto que a comida tem no meio ambiente até chegar ao nosso prato.

A alimentação sustentável considera vários aspetos:

  • as condições de produção, com remuneração justa para quem trabalha;
  • o respeito pelo meio ambiente, com a diminuição do uso de agrotóxicos;
  • o bem-estar animal é fundamental, garantindo uma dieta alimentar equilibrada e evitando o seu sofrimento;
  • o transporte, diminuindo a utilização de combustíveis fósseis.

Quando compramos um alimento devemos sempre questionar: “Será que prejudica o solo?”, “Utiliza água excessiva na sua irrigação?”, “Onde foi plantado?”, “Quem o plantou tem condições de trabalho?”, “Como é conservado?”.

Pensar numa alimentação sustentável é extremamente necessário, pois diversos estudos mostram que a forma como produzimos e consumimos os alimentos é muito prejudicial e errada. Se nada mudarmos, em 2050 poderão não haver os recursos naturais necessários para alimentar toda a população. Sir David Attenborough explica direitinho o que está a acontecer no seu documentário da Netflix, “A Vida no Nosso Planeta”. Fica aqui a recomendação!

Assim, uma alimentação sustentável trata-se de retirar ou diminuir alguns alimentos e aumentar e priorizar outros, pensando na nossa saúde e nos recursos naturais utilizados. Para além disso só traz benefícios, como poderás conferir ainda neste artigo.

Relação entre produtor e consumidor – Circuitos Curtos Alimentares

Uma das coisas que devemos procurar saber sobre a comida que chega ao nosso prato é qual a viagem que estes alimentos fazem. Estamos a falar dos Circuitos Curtos Alimentares (CCA) que são a diminuição dos caminhos e dos intermediários entre o produtor e o consumidor. Essa é uma ideia que já se desenvolve em vários lugares, inclusive em alguns municípios portugueses.

Mercado local com frutas e legumes
Por Annie Spratt

O objetivo é motivar os consumidores a serem protagonistas das suas escolhas alimentares e assim optar pela produção local, que faz com que haja melhor remuneração e ativação da atividade económica, e para além disso menos emissão de gases no transporte.

Assim passa a existir a possibilidade de levar alimentos com qualidade para todas as pessoas, em diversos lugares: escolas, hospitais, residências de idosos e a todas as casas.

Alimentação Sustentável é apenas vegetariana?

A resposta é simples: não! É possível ter uma alimentação que tenha em consideração todas as preocupações sustentáveis, mesmo que não se seja vegetariano ou vegano.

Claro que ter uma alimentação que seja maioritariamente “plant-based” – à base de plantas – acaba por ser um fator de grande importância, pois consumimos mais alimentos da época e, devido à sua produção, causam menos impacto no meio ambiente do que, por exemplo, a carne. Contudo, isto não significa que é obrigatório ser vegetariano ou vegano para ter uma alimentação sustentável e saudável.

Contudo, é sim muito importante reduzir o nosso consumo de carne. Adaptar a quantidade de proteína animal consumida que, em geral, ultrapassa muito o que é necessário para uma vida saudável e sobrecarrega a produção, o que resulta em desperdício, mais emissões de carbono e mais produtos tóxicos no solo. Para além disso, o respeito aos animais na produção é fundamental.

Como consumir peixe e carne de forma consciente?

No que diz respeito à carne, é importante variar nos cortes. Um animal inteiro é abatido para que tivéssemos um pedaço dele no prato. É importante que se aprenda a comer todas as partes do animal de forma a evitar o desperdício das partes menos populares. Não existem partes de melhor qualidade, cada uma tem a sua forma correta de preparar.

A sobrepesca também causa um grande impacto nos nossos oceanos. Apoia a pesca sustentável, porque nela os peixes e os frutos do mar são capturados seguindo a legislação e causam menor prejuízo aos pescadores locais que dependem da atividade para sobreviver.

Opta por peixes locais, nativos da costa e evita espécies ameaçadas. Lembra-te de que peixes frescos são mais baratos e, além disso, não exigem embalagens plásticas, diminuem a emissão de carbono no transporte e são mais saborosos. Por fim, respeita o processo de amadurecimento dos peixes. Não compres peixes “bebés”, pois ainda não tiveram tempo de procriar e é interrompida a cadeia natural de reprodução.

Como ir às compras para uma alimentação sustentável?

Da próxima vez que fores às compras, leve na lista a preocupação com a sustentabilidade. Vais ver o quão fácil é! Deixo aqui algumas dicas:

  • Opta por comprar local, dá preferência a produtores das redondezas;
  • Escolhe sempre que possível os produtos orgânicos ou biológicos, e dá preferência aos produtos que podes comprar a granel;
  • Preocupa-te com o preço justo, e não somente com o que é barato;
  • Compra apenas o que vais consumir, planear as receitas da semana de forma antecipada ajuda a comprar o essencial, não ir às compras com fome é outro fator importante;
  • Evita desperdícios, dá prioridade ao que entrou primeiro no frigorifico e na tua casa;
  • Evita comprar coisas embrulhadas em plástico, dá prioridade a embalagens recicláveis ou a sacos reutilizáveis e sempre que conseguires não utilizes nenhuma embalagem. Aliás, a fruta e os legumes já vêm embalados por natureza, não utilizar sacos de plástico para os trazer para casa já é um grande passo. 

Benefícios de uma Alimentação Sustentável

Uma alimentação sustentável acaba obrigatoriamente por ser uma alimentação saudável, pois consome-se alimentos mais naturais e sem conservantes ou outros químicos.

Joana na cozinha

Quais são então alguns dos benefícios:

1 – Controlo do colesterol  

Os alimentos priorizados dentro de uma alimentação sustentável conseguem ajudar a manter os níveis de colesterol controlados. Os níveis de colesterol aumentam, por exemplo, pelo excesso do consumo da carne vermelha ou pelo modo de preparação de alguns alimentos. 

2 – Prevenção e controlo da diabetes

A diabetes tipo 2 é uma doença crónica e desenvolvida pelo estilo de vida de algumas pessoas, com relação direta da alimentação, através de alimentos extremamente industrializados e ricos em açúcar, por exemplo.

Dentro de uma rotina de alimentação sustentável os ingredientes priorizados auxiliam na prevenção da diabetes. Caso tenhas adquirido a doença, esses alimentos também servem como um fator de controlo da insulina.

3 – Melhor digestão

Laticínios e proteínas animais tendem a gerar um desconforto intestinal, sabes aqueles dias em que algo parece não ter caído bem no teu estômago? Isso acontece porque ingerimos alimentos que naturalmente são de difícil digestão.

Dentro de uma alimentação com foco na sustentabilidade e saúde vais logo sentir uma melhoria no processo de digestão, auxiliando na regulação do intestino e até mesmo no teu humor.

4 – Melhora a ansiedade

Está comprovado cientificamente que alimentos extremamente industrializados podem aumentar os níveis de ansiedade.

O ideal é uma alimentação equilibrada e com o máximo de alimentos saudáveis e os mais naturais possíveis, ou seja, longe do processo de industrialização.

5 – Vantagens ambientais

Claro que não posso deixar de mencionar os benefícios ambientais e até mesmo sociais que a alimentação sustentável traz consigo. Dentro da lista, apresento:

  • Conservação e proteção dos recursos naturais;
  • Eficiência na utilização dos recursos naturais;
  • Diminuição das emissões de carbono;
  • Maior distribuição económica para pequenos agricultores e comerciantes locais;
  • Redução de desperdício;
  • Redução do uso de embalagens e consequentemente menos lixo;
  • Uso sustentável da água.

Como consequência de todos estes benefícios citados, a alimentação sustentável proporciona-nos uma vida mais longa e saudável.

Marcas para uma Alimentação Sustentável

Algumas empresas, empreendedores e marcas já entenderam a importância de produzirem alimentos de forma mais sustentável. Por isso, vou deixar aqui algumas marcas que valem a pena prestar atenção:

BeatRoot

Marca portuguesa de produtos veganos ultracongelados feitos a partir de ingredientes 100% naturais.

São também produtos carbono zero, isto é, a marca tenta reduzir ao máximo a emissão de carbono nos seus processos e compensam o restante plantando árvores nativas em Portugal.

Joana com os produtos Beatroot na mão

Podem adquirir os produtos da Beatroot no site da empresa ou até nas lojas celeiro. Para além da venda dos produtos, a marca também facilita workshops e dá consultoria a restaurantes. Por último, têm um blog com receitas de comer e chorar por mais.

Carne D’Erva

A marca aposta na conscientização da alimentação como estratégia de posicionamento e de vendas. Carne D’Erva acredita que a forma de dizer que uma carne é boa, é se ela for resultado de um cuidado que abranja todos os níveis de produção, desde a pastagem até ao prato. Isso incluí o abate, a maturação, o corte, a embalagem e a entrega.

Animais no campo
Por Carne D’Erva

São bovinos 100% portugueses ricos em vitaminas e gorduras boas, que se alimentam de diferentes ervas frescas, que através do seu processo de crescimento e fotossíntese, absorvem o carbono do ar e compensam as emissões de carbono dos animais. Por último, a marca respeita o processo natural de crescimento do animal, sem aditivos, hormonas ou antibióticos.

Fruta Feia

A Fruta Feia, uma cooperativa que pretende dar um fim digno à fruta desperdiçada da produção fruto-hortícola, fazendo assim com que esta chegue até aos consumidores que não julgam a qualidade pela aparência.

“Gente Bonita come fruta feia” é o lema da cooperativa que através da venda de cabazes ajuda a combater uma ineficiência de mercado e a alterar padrões de consumo. Desta forma, estão a combater o desperdício alimentar, a criar valor para os produtores e a diminuir o gasto desnecessário dos recursos utilizados na sua produção (água, energia e terrenos agrícolas).

Alimenta quem o Alimenta

Uma plataforma desenvolvida pelo Ministério da Agricultura de Portugal que possibilita que os agricultores locais divulguem os seus produtos e cabazes.

A plataforma reúne os produtores por Concelho, facilitando que os consumidores encontrem os produtores da sua região influenciando os Circuitos Curtos Alimentares, ajudando a apoiar a economia local e a diminuir a pegada ecológica.

Too Good To Go 

Uma aplicação que ajuda no combate ao desperdício alimentar, ligando consumidores a excedentes alimentares de restaurantes, hotéis, supermercados e empresas.

Saco da To Good To Go e 2 pratos de comida

A Too Good To Go promove o consumo consciente e diminui o impacto no meio ambiente. A app é um sucesso em muitos países da Europa e, em Portugal, conta com inúmeros restaurantes, padarias e até mesmo empresas, como a Nestlé e a Danone, registadas na sua plataforma.

 

Com este artigo tens todas as explicações e dicas necessárias para adaptar uma alimentação saudável. Dá para entender que comer bem e pensar no meio ambiente nunca foi tão fácil, simples e saboroso.

Já te convenci a incluir a sustentabilidade no teu prato?

 

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